dois comprimidos ao dia


Longe lar
20.07.10, 3:16 pm
Filed under: Poesia

o azul que banha o céu
o mar que não está
tantas pontes
que se esticam
sem querer;

a vida não liga
enquanto as pernas procuram
alguém para conversar.

a chuva e o vento
as folhas contra o cimento
as sombras sem seus donos
assim como somos
também:

se não há ninguém
logo não há
porque ser alguém.

na sala de estar
o medo sempre gosta
de parar para um café
de sentar
enquanto os pés
descansam sobre a mesa
de centro.
mas ele não é daqui
não mora em qualquer lugar
apenas fumaça
e depois apaga

apenas valsa
um tanto lento
de dois
em dois
em dois
para depois
se esquecer...

com o sorriso e a ternura
com o muro em ruínas
e as crianças a brincar
com aquela praça e sua única
árvore
despida da prudência
do movimento
da vontade
de voltar

com o postal
na gaveta mais fechada
e a liberdade silenciosa
do último dia de verão
o rio segue o sol
e eu sigo o vôo
da cotovia que insiste
em não mover as asas
em não viver distância
quando galga o céu
para, do alto
vingar no azul
e sorrir pensando
em morrer no mar.
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1 Comentário so far
Deixe um comentário

a cotovia que vai em busca do céu e do mar… ou para voar sobre a linha onde o céu se confunde com o mar

Comentário por Gabi




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