dois comprimidos ao dia


Henrik Ibsen – o bater de porta que acordou o mundo
28.12.09, 11:06 am
Filed under: Matérias

“Através da perplexidade dos críticos, o grande talento deste homem vem à tona, dia após dia, e ele surge como um herói em meio ao mesquinho pensamento mundano”. Esse foi o parecer dado por James Joyce em um longo artigo sobre o ainda principiante Henrik Ibsen. E talvez realmente não haja melhor definição para quem viria a ser uma dos maiores e mais influentes dramaturgos da modernidade.

Ibsen nasceu em 1828 numa pequena cidade da Noruega, onde teve uma vida boa até seus 15 anos, quando as autoridades exigiram o fechamento da destilaria da sua família. Em situação difícil e buscando horizontes maiores, ele partiu de sua cidade natal, trabalhou, desenvolveu fascínio pelo teatro assistindo companhias itinerantes e, aos 20 anos, já era um livre-pensador excitado com a onda de revoluções populares que surgia pela Europa.

Portanto, é compreensível a tendência de Ibsen para o que se chamou de “dramaturgia problemática”: peças que abordavam temas inovadores,  polêmicos e possivelmente incômodos ao público da época. Isso, aliado ao seu criticismo social, à contemporaneidade de seus enredos e ao uso de situações corriqueiras em suas peças fez de Ibsen um pioneiro – se não o próprio patrono – do realismo nas artes cênicas.

Há quem diga que o bater de porta dado pela personagem principal da peça Uma Casa de Boneca ao sair de casa, selando sua decisão de abandonar o marido e rompendo o sufocamento do seu casamento vitoriano, reverberou por todo o mundo, dando luz a movimentos não só literários como também sociais. Outra obra sua, Um Inimigo do Povo, foi ainda mais controversa, provocando manifestações públicas em prol de idéias libertárias.

Henrik Ibsen, como seus próprios personagens, foi alguém além do seu tempo e, portanto, taxado tanto de subversivo como de genial, sendo ovacionado, mas também repudiado. Todavia, independente do olhar crítico, o fato é que sua influência foi tremenda, e que os ecos extraordinários de suas obras repercutem claramente até os nossos dias.

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Obras recomendadas: Peer Gynt, The Pillars of Society, A Doll’s House (Uma Casa de Boneca), An Enemy of the People (Um Inimigo do Povo), Heda Gabler.

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