dois comprimidos ao dia


Real idade
16.12.09, 12:12 pm
Filed under: Ensaios

Através do véu se vê a polpa. Através da neblina. O incontornável de se ser, o essencial de se saber, está sempre um caractere mais adiante. O momento do bar, o exemplo da dança, a coreografia dos anos que passam: tudo não remete ao real. Não obstante, o falso-espelho cotidiano prevalece, espírito amaurótico do presente.

A dependência dos símbolos, das abstrações, da lente opaca da humanidade é evidente: não se pode haver sem. São caminhos paralelos, belos e necessários portais. Contudo, caso não se atinja o cerne, o geist intrínseco àqueles termos, toda imagem é isenta de missão e  seu trono será irremediável e fugaz. Nada fronda sem raiz, nada medra sem a primordial fecundação, nada atina sem ser aquilo que inexoravelmente é.

Para ir além precisa-se de pouco, mas precisa-se. Uma verdade gutural, uma frase permanente, um coração sempre selvagem, pequenas coisas que no arquipélago das idéias contam como âncoras e faróis. E a vírgula, solecismo visceral, entre o que somos e o que queremos, entre o que vemos e o que realizamos, entre a interrogação e o ponto final, é o vão momento em que acreditamos sem exercer a transparente epifania da razão.

– Nenhuma labareda é tão quente e tão confusa quanto aquela chamada eu.

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